AS ELEIÇÕES FORAM UM
PASSO, EM NOSSAS MÃOS O FUTURO...
Muitas vezes, nós do PSOL
perguntamos se “o que parece impossível de mudar” não seria mesmo impossível de
ser atingido. Se a utopia que defendemos não seria de fato um lugar que não
existe ou existirá. Uma coisa é certa: uma boa parte do futuro é efeito de
nossas escolhas, de nossas ações ou omissões. Essa é a nossa certeza, por isso,
passadas as eleições, continuaremos na luta por uma cidade mais justa, mais
igual, mais humana.
Em Itaboraí, aqueles que iniciaram a construção do PSOL tinham uma
convicção: de nada adiantariam as boas intenções se as nossas práticas fossem as
mesmas daqueles que fazem do Brasil um dos países mais desiguais do mundo, e de
Itaboraí uma das cidades com um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do
Estado do Rio de Janeiro (o IDH avalia a expectativa de vida ao nascer, a
educação e o PIB per capita da população). Dados do MEC: o Índice de
Desenvolvimento do Ensino Básico de nossa cidade é de 3,9 – abaixo da média
nacional – e 15% das crianças e adolescentes em idade escolar estão fora da
escola. Isso ilustra o que dizemos.
AS PRÁTICAS ÀS QUAIS NÃO NOS RENDEMOS
Os candidatos do PSOL sabiam das
dificuldades. Não fazer coligação com partidos financiados pelo grande
empresariado, não receber este tipo de financiamento, não fazer clientelismo ou
assistencialismo (uso de favores), não ter cabos eleitorais pagos e fazer uma
campanha com militantes e simpatizantes do partido, não receber candidatos que
representam essa política. Essas foram
algumas de nossas orientações, por isso sabemos do valor que detêm cada um dos
2477 votos que tivemos para prefeito(a) e dos 1888 votos para vereadores.
Nenhum desses votos foi comprado. Isso significa que não houve uso
da máquina pública (da prefeitura) para distribuir empregos terceirizados, privilégios,
vagas em UTIs do hospital ou no cemitério (acreditem, isso existe!), exames,
consultas, obras eleitoreiras e sem critério, enfim, troca de bens públicos por
votos. Também não distribuímos remédios, roupas, brinquedos, dinheiro,
presentes, promessas e toda sorte de favores, muitos deles cumprindo o papel
que é do estado (do governo) como o transporte de pacientes para consultas e
internações.
Não pagamos pessoas para fazer campanha. Compreendemos que muitas
pessoas estão no limite e que precisam de dinheiro para sobreviver. Entretanto,
é desalentador saber que os partidos e políticos que pagam cabos eleitorais são
os mesmos que promovem a concentração do poder e da riqueza. São os mesmos que
governam em nome de interesses privados e sacrificam os serviços essenciais
como saúde, educação e transporte. O cabo eleitoral recebe agora e paga depois,
às vezes com a sua vida ou com a vida de um parente, vizinho, conhecido... aquele
que morre no hospital mal aparelhado, com falta de médicos e atendimentos
especializados, com o serviço de saúde entregue a uma OSS (Organização Social
de Saúde) que visa o lucro e não a saúde e a vida. Pagam também com o futuro de seus filhos, com
uma educação de péssima qualidade.
“O empresário compra o político e
o político, em sua campanha milionária, compra o eleitor: de uma forma ou de
outra é o eleitor ou o povo quem paga a conta no final.”
(...) De fato, seus remédios são parte da doença.
Buscam solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre;
ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre. Mas isto não é uma
solução: é agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por
reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível a pobreza.” Oscar
Wilde em “A Alma do Homem Sob o Socialismo”, Porto Alegre: L&PM, 2003,
pags. 15/16.
Ninguém lê um texto desses
impunemente. Terá necessariamente que pensar. Afinal, como pensam os eleitores,
sobretudo aqueles que vivem nos limites da sobrevivência? Esses, de fato, são os
mais vulneráveis à política da compra de voto e da distribuição de favores.
Desgraçadamente são esses eleitores os preferidos dos políticos inescrupulosos.
Esses políticos são os parasitas da miséria, os que tiram vantagem das carências
do povo. São eles os principais responsáveis pela tragédia social e
cultural que vigora em Itaboraí. Quem compreende isso tem diante de si uma
escolha...
PSOL: APRENDENDO E ENSINANDO UMA NOVA LIÇÃO
Nós do Partido Socialismo e
Liberdade aprendemos muito nessa campanha. Aprendemos que ouvir o povo é
importante, saber o que as pessoas pensam, buscar os pontos de convergência,
aprender novas linguagens, aprofundar o conhecimento sobre a geografia da cidade,
dos bairros, das ruas, das mentes... Essa experiência é sem dúvida um dos
legados mais importantes dessa eleição. Falamos muito, em filas, praças,
mercados, esquinas, vilas, festas, comunidades... Aprendemos que o que pensamos nem sempre é
prioridade para o outro e que educar é também aprender...
Aprendemos também que nem todo
político novato que está em partidos chamados de direita (aqueles ligados aos
interesses da minoria rica e privilegiada da sociedade) são mal intencionados.
Existem exceções. A maioria, politicamente deseducada, aprendeu equivocadamente
que fazer política é seguir uma carreira individual, não importando o partido. Entretanto,
acabam prestando um serviço para os políticos chamados “raposas”, aqueles que
sabem o que fazem e ainda assim o fazem contra o povo. Aqui vale a máxima: “Partido
que é financiado pelas grandes empresas vai ter campanha rica, mas não vai
governar para o povo.” Essa lição não cansaremos de ensinar.
O mesmo vale para o eleitor que
vota em pessoas sem levar em conta o partido. Esse é um dos maiores enganos que se poderia cometer. O
partido é a segurança de que o candidato vai ter uma linha político-ideológica.
A maioria dos partidos não tem linha alguma ou tem a linha do “quem dá mais”.
No último debate da TV vimos o candidato vencedor das eleições para o município
do Rio de Janeiro (do PMDB) confirmar a doação de um milhão de reais para o
PTN. Será que o PTN juntou-se à aliança de 20 partidos que apoiou ao candidato
do PMDB por ideologia?
Essa lição o PSOL sempre soube: “Para
mudar de verdade é preciso ter uma prática transformadora.”
AGRADECIMENTOS
Agradeço de minha parte cada um
dos votos que obtive para vereador e todos os que obtiveram os candidatos do
PSOL. Agradeço também a todos aqueles que, em maior ou menor grau, contribuíram
para essa campanha, inclusive os próprios candidatos. Nosso esforço não terá
sido em vão. Cada um dos que participaram dessa verdadeira aventura foi e é
importante, inscreveu seu nome na história, na pavimentação do caminho para um
futuro melhor para cidade.
Mas isso é só o começo. Pautado em
seu programa, em suas propostas, denunciando o poder econômico que desvirtua a
política atual, mantendo seu compromisso com um governo transparente, ético, de
participação popular, reafirmando sua convicção socialista, democrática e
libertária, o PSOL cumpriu o seu papel. Temos uma identidade, preservamos
nossos princípios e convidamos a todos a nos conhecerem e se possível se
filiarem e atuarem em nossas lutas. O futuro é logo ali e está ao alcance de
nossas mãos.
Ronei de Aguiar Carvalho
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